Uma seleção dos melhores livros de fotografia brasileiros publicados em 2017

“A ZUM convidou artistas, curadores, pesquisadores, jornalistas, críticos e professores e envolveu a própria equipe numa seleção dos melhores livros de fotografia brasileiros publicados em 2017 – fotolivros, catálogos de exposição, livros monográficos e de teoria e história da fotografia. Veja abaixo a escolha de cada um.”

Daigo Oliva (editor-adjunto do Núcleo de Imagem da Folha e responsável pelo blog Entretempos)

Missão Francesa, de André Penteado (Editora Madalena, 2017)

“É necessário celebrar fotolivros brasileiros que estão fora da curva nacional. Missão Francesa, de André Penteado, destaca-se por alinhar um trabalho fotográfico de relevância, inserido dentro de um projeto ambicioso, com design e impressão de qualidade –tudo com o mesmo peso, com a mesma importância. Enquanto muitos fotógrafos se dedicaram a explorar recortes da história nacional, André arrisca um grande ensaio que contempla os principais elementos que formam a mentalidade brasileira.”

Lívia Aquino (coordenadora da pós-graduação em fotografia da FAAP, em São Paulo)

X-Range, de Regina Vater (Ikrek, 2017)

“Reeditar uma obra, um livro, uma tradução é fundamental para os processos de pesquisa e para a construção do que entendemos como história, procedimento pouco valorizado pelo mercado editorial no Brasil. Esse argumento já valeria minha escolha, mas podemos pensar mais sobre essa publicação tão cuidadosa.”

“Regina Vater é uma artista cuja produção se dá pela experimentação de diversos procedimentos e materiais. No que diz respeito à fotografia, presente nessa publicação, a artista esgarça alguns protocolos relacionados ao que se consagrou como tradição, provocando outros modos de utilizá-la ao longo de sua produção. Gosto imensamente da definição que faz de si mesma quando assinala, pela linguagem, um lugar de chegada e um de partida: “Não sou vídeo artista, não sou artista de performance, não sou fotógrafa, não sou desenhista, não sou artista de instalação, não sou pintora, não sou poeta visual, sou artista ponto parágrafo”.

“Ela também se faz articuladora de outros artistas produzindo exposições e encontros em Nova Iorque, lugar de efervescência nos anos 1970. Em X-Range tal convivência se dá por uma ação simples de procurar projetar o outro a partir de seu próprio ambiente. Esse outro, entretanto, é parte dessa relação maior entremeada por Regina, se falamos de John Cage, Lygia Clark, Hélio Oiticica e Vito Acconci. Dessa forma, a reedição da publicação é também um reconhecimento de tudo isso como parte de uma boa história.”

Rosely Nakagawa (curadora e editora de artes visuais)05007-002 05005-060, de Marlos Bakker (Editora Madalena, 2017)

05007-002 05005-060 é a publicação de Marlos Bakker que recebeu o prêmio do edital da galeria Gávea. A série mostra uma relação ficcional entre espaços vizinhos próximos geograficamente, porém, socialmente distantes. As fotografias se contrapõem ou se complementam, mostrando possíveis conflitos entre um condomínio de luxo fechado e uma vila de bairro, que se encontram separados por um muro, de onde o fotógrafo os observa. As aparentes semelhanças e conflitos das cenas são reforçadas por palavras pesquisadas pelo autor que conferem às duplas de imagem uma leitura  também ambígua. O projeto gráfico e a edição conseguem reforçar esta leitura, num tratamento sutil da escala de tons que substitui o branco pelo cinza. E em imagens intensas e opostas, impressas sobre um papel sensível ao tato que, de alguma maneira, aumentam a tensão da leitura em cada dobra de página, impressa em papel dobrado.”

Carlos Franco (editor do site da ZUM)Tropeço, de Mário Lalau (Fotô Editorial, 2017)

“Uma brincadeira com a tradição da fotografia de rua dá título a este livro do paulistano Mário Lalau: Tropeço. O olhar do fotógrafo passeia pelas ruas de diferentes cidades do mundo e repara mais nos objetos urbanos (placas, sinais, bancas, calçadas) do que nas pessoas que habitam estes espaços, buscando assim um dar recorte mais particular ao trabalho. O livro, construído em páginas duplas soltas, sem grampo ou cola para juntá-las, aproxima e afasta tais imagens num ritmo bem elaborado, abrindo a possibilidade para que o observador siga seus próprios caminhos na cidade imaginada pelo fotógrafo. O (pouco) texto presente no livro surge mais como verbete, invocando palavras soltas, o que só reforça o aparente desejo do fotógrafo em dar às imagens total protagonismo na narrativa. Um bom exercício para o olhar.”

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Por Revista de Fotografia ZUM

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BOLSA DE FOTOGRAFIA Inscrições abertas para a Bolsa de Fotografia ZUM/IMS 2017

“Em sua 5ª edição, a Bolsa de Fotografia ZUM/IMS selecionará dois projetos inéditos de artistas e fotógrafos para que desenvolvam e aprofundem seu trabalho no campo da fotografia, nas mais diversas vertentes, sem restrição de tema, perfil ou suporte.”

“Cada bolsa tem o valor de R$ 65 mil, e os selecionados terão um prazo de oito meses para a entrega dos resultados finais dos projetos, que serão incorporados à Coleção de Fotografia Contemporânea do Instituto Moreira Salles. Os dois projetos ganhadores serão anunciados em agosto aqui no site da revista ZUM.”

As inscrições vão de 02 de maio até o dia 2 de julho de 2017.

O cartaz de divulgação desta edição foi elaborado pela designer Julia Masagão.

Para mais informações:

Leia o edital da Bolsa de Fotografia ZUM/IMS 2017

Veja a página de Perguntas Frequentes

Baixe a Ficha de Inscrição

Revista ZUM/IMS 2017