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4· Brassaï

Brassaï

Brassaï ( Brassó, Transilvânia, Hungria, 1899 – Beaulieu-sur-Mer, França, em 1984)

Nascido como Julius Halasz em 1899, em Brasso, na Transilvânia (parte da Romênia que estava sob o domínio austro-húngaro), Brassaï, pseudônimo que utilizava como estandarte, sonhava com a França, por seu idioma e pela cultura que seu pai, professor de francês na universidade, relatava.

Um dos fotógrafos mais célebres de seu tempo, Brassaï registrou Paris de forma irreverente. A noite parisiense exerceu um enorme fascínio sobre ele, que não cansou de fotografá-la. Segundo Henry Miller, Brassai era “O olho de Paris”.

Conheceu Paris quando tinha 4 anos e prometeu voltar para lá para estudar, mas a chegada da primeira Guerra Mundial interrompe o seu sonho. Após servir no exército austro-húngaro, ele, como todos os cidadãos de países inimigos, foram proibidos de morar na França. Em 1921, vai para Budapeste, onde passa a frequentar a Academia de Belas Artes e estuda desenho, pintura e escultura. Não demorou muito para que Brassaï se tornasse popular devido à sua curiosidade e senso de amizade. Entre seus amigos, estavam artistas de vanguarda como Kandinsky, Kokoschka, Moholy-Nagy, além de músicos reconhecidos como Verese e aquele que fora seu melhor amigo, o pintor húngaro Lajos Tihany.

Chega à França em 1924 acreditando que seus talentos serão desenvolvidos em Paris. Para resolver os problemas financeiros, faz charges para jornais franceses e alemães, além de enviar com frequência para revistas húngaras, austríacas ou romenas colunas sobre assuntos como críticas de exposições, análises de concertos, artigos sobre o Salão da Agricultura, entre outros.

Contudo, os redatores-chefes de jornais para os quais Brassaï colabora começam a fazer pedidos para que ele acrescente fotografias às suas crônicas. Então ele começa a pedir aos seus amigos fotógrafos que colaborem com ele antes mesmo que ele enveredasse pela fotografia. Em 1926 conheceu André Kertész e em 1930 começa a fotografar com uma câmera Voigtlander.

Entre 1930-1940 trabalhou como fotógrafo independente para as revistas Verve, Minotauro e Harper’s Bazaar. Em 1932 publicou “Paris à Noite” (Paris de nuit, Paris by Night). Também começou a fotografar grafitagem nas paredes de Paris, o que entusiasmou Picasso, Dubuffet e aos artistas informais.

Durante a ocupação da França pela Alemanha nazista foi proibido de exercer a sua profissão. Apesar disso, fotografou esculturas e desenho de Picasso. Escreveu o livro “Conversations avec Picasso”.  A partir de 1945 retoma a sua atividade de fotógrafo, nas revistas Harper’s Bazaar, Lilliput, Picture Post, Labyrinthe e Réalités.

Brassai vê Paris como um tema de infinita grandeza. Suas fotografias de Paris exploraram as pessoas de forma sensível e, com freqüência, de forma bastante dramática, além das avenidas resplandecentes, seus caminhos secretos e intrigantes. Foi com o seu primeiro livro, Paris at Night, hoje um clássico moderno, que Brassai teve sua reputação estabelecida. Alguns dos retratos neste livro estão definidos com nitidez e luz brilhante, enquanto outros capturam o nevoeiro das noites chuvosas. Há os que retratam a vida obscura do mundo dos criminosos.

À medida que Brassai criava mais retratos da vida parisiense, sua fama foi se tornando internacional. Seus retratos sobre o que hoje denominamos grafitagem ou pichação, realizadas nas paredes de prédios em ruínas, foram objeto do seu “one-man show”no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Sobre o assunto ele afirmou: “”the thing that is magnificent about photography is that it can produce images that incite emotion based on the subject matter alone.””  Foi nesse período que conheceu dois outros ícones da fotografia: Robert Frank e Walker Evans.

Outras apresentações individuais ocorreram em Biblioth-Que Nationale em Paris, no George Eastman House em Rochester, e no Art Institute em Chicago. Seu trabalho foi incluído em muitas exibições internacionais e publicado em muitas revistas. Ele foi a última pessoa a receber o England’s P. H. Emerson Award do próprio. E é interessante notar que Brassai continuou seu trabalho em outras artes como desenho, poesia, e escultura. Álbuns de seus desenhos e um volume de poesia, Les Pro pos de Marie, foram publicados, e houve uma exposição com 50 esculturas dele em Paris. Junto com outros grandes artistas contemporâneos — Picasso, Moore, Calder, e Noguchi, Brassai recebeu o honroso convite para criar um mural de 23 X 10 pés para o palácio de UNESCO em Paris. Brassai deixou importantes afirmações sobre fotografia, dentre as quais:

We should try, without creasing to tear ourselves constantly by leaving our subjects and even photography itself from time to time, in order that we may come back to them with reawakened zest, with the virginal eye. That is the most precious thing we can possess.”

“A noite sugere, não ensina. A noite nos encontra e nos surpreende por sua estranheza; ela libera em nós as forças que, durante o dia, são dominadas pela razão.“
(Brassaï)

Leia também…

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  2. Richard Avedon
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Um comentário sobre “Os melhores fotógrafos de todos os tempos

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